Novidades

2011

Antologia de Janeira com chancela da INCM

Com organização e nota introdutória de Paula Mateus, uma antologia de textos de Armando Martins Janeira será publicada, possivelmente já em 2012, pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Paula Mateus, que estuda a vida e obra de Janeira há vários anos, reuniu neste trabalho alguns dos textos mais representativos deste autor, sempre com a preocupação de provar a abrangência e a diversidade da sua Obra. A antologia, que abre com um capítulo dedicado aos primeiros livros de Janeira – Três Poetas Europeus (Camões, Bocage, Pessoa), de 1947, Esta Dor de Ser Homem e Sentidos Fundamentais do Romance Português, ambos de 1948 –, demora-se naturalmente sobre o Japão, país em que Janeira viveu durante mais de uma década e ao qual dedicou bastante estudo. Vale a pena lembrar, aliás, que a reactivação das relações culturais entre Portugal e o Japão no século XX se deve quase exclusivamente a Armando Martins. A sua obra desempenhou um papel primordial na reabilitação da imagem do nosso país no Japão, mediante a divulgação da língua e da cultura portuguesa, e na divulgação e incrementação do interesse pelo estudo da cultura e da civilização oriental. Assim, as suas obras de referência sobre o Japão – O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa, de 1970, reeditado, postumamente, em 1988, Japanese and Western Literature – A Comparative Study, de 1970, e Figuras de Silêncio – A Tradição Cultural Portuguesa no Japão de Hoje, de 1981 – marcam presença relevante nesta antologia, a par com outros estudos como Caminhos da Terra Florida – A Gente, a Paisagem, a Arte Japonesa, de 1956, e o importante Japão – A Construção de Um País Moderno, de 1985, e com alguma da bibliografia que Janeira dedicou a Wenceslau de Moraes, de quem foi o mais valioso biógrafo. A merecer aqui referência a reprodução na íntegra nesta antologia do opúsculo Peregrino, de 1962, reeditado em 2008 por Paula Mateus, enquanto editora da Pássaro de Fogo.

Além dos livros que publicou, Janeira deixou-nos uma imensa herança escrita, que esta antologia agora também recupera. Entre os inéditos, o destaque vai, sem dúvida, para um conjunto de nove peças de teatro curtas, que o autor por várias vezes mostrara o desejo de ver publicadas. Sobre o Teatro foram escolhidos excertos dos ensaios O Teatro Moderno, de 1952, e O Teatro de Gil Vicente e o Teatro Clássico Japonês, de 1967, incluindo-se nos deste último duas pequenas peças de traduzidas por Janeira. Amante desta arte, Armando Martins Janeira dizia mesmo que, ao lado do poema épico, é o Teatro que regista as criações mais altas do espírito humano. A antologia conta ainda com algumas das crónicas e artigos que Janeira publicou em jornais e noutros periódicos e vários outros textos, éditos e inéditos, mais ou menos longos, sobre temas diversos.

O prefácio da antologia é assinado por Eugénio Lisboa, que se estreou na sua carreira diplomática como Conselheiro Cultural em Londres, em 1978, precisamente junto a Armando Martins, então Embaixador na capital britânica.

Esta antologia é fruto do empenho de Ingrid Bloser Martins, viúva do escritor e diplomata, e de Beatriz Martins Geisler, filha do casal, e Matthias Geisler, seu marido. A Imprensa Nacional-Casa da Moeda, ao assumir agora a publicação desta obra, proporcionará o olhar alargado que já se impunha sobre a Obra de um dos mais importantes diplomatas e intelectuais do nosso tempo.

Martins Janeira visto por Martins Correia

Em 2010 completaram-se cem anos sobre o nascimento do Mestre Martins Correia, o magistral escultor e pintor casapiano, nascido na Golegã, e foram várias as iniciativas levadas a cabo para celebrar o seu nome e a sua imensa e prestigiosa Obra, iniciativas essas que se prolongaram até Outubro de 2011. Logo em Fevereiro de 2010 o Museu Municipal Martins Correia organizou a exposição Olhar Poético – Auto-Retrato. Agora instalado no edifício Equuspolis na sua terra natal, o espólio doado pelo artista à Câmara Municipal, que durante vários anos esteve guardado no edifício em frente ao Pelourinho, passou finalmente a ter condições para ser preservado e divulgado. Foi igualmente elaborado pela Câmara o Catálogo Museu Municipal Martins Correia. O pintor e escultor teve ainda o seu nome atribuído a uma escola na Golegã; outros eventos realizaram-se na Academia Nacional de Belas Artes e na Fundação Calouste Gulbenkian, este promovido pela Casa Pia, com o propósito de recordar o percurso do Mestre; depositaram-se flores junto das cinzas de Martins Correia, como vem acontecendo, aliás, todos os anos. Em Lisboa, a mais importante comemoração foi sem dúvida a exposição Mar.E.Cor., que se inaugurou já em Abril deste ano no primeiro piso do claustro do Mosteiro dos Jerónimos. Coordenada pelos escultores José Aurélio e José Teixeira e comissariada por Gabriela Carvalho e Eduardo Marçal Grilo, a mostra Mar.E.Cor., que vai beber o seu título às três primeiras letras dos próprios nomes do artista que celebra, teve uma média de duas mil visitas diárias. Este êxito é a reafirmação da excelência da arte de Martins Correia. Em Outubro, na estação do Metro de Picoas, foi lançado o livro Martins Correia Laureatus, o Mestre da Forma e da Cor, de Gabriela Carvalho, pela editora Althum.com, encerrando-se assim as comemorações.

Armando Martins, que com Martins Correia manteve sempre fortes laços de amizade, possibilitou que no Japão o Mestre erguesse um monumento aos Grandes Portugueses, simbolizando a amizade entre os dois povos. A escultura de bronze, que tem o mesmo título e ilustra a capa de um dos livros de Janeira, Figuras de Silêncio, foi concebida para a Exposição Mundial de Osaca de 1970, tendo sido posteriormente transferida para os jardins do Museu de Dejima, em Nagasáqui. Nos seus medalhões mostram-se seis figuras históricas: Jorge Álvares (?-1521), Francisco Xavier (1506-1552), Luís Fróis (1532-1597), João Rodrigues (1558, 1560 ou 1561-1633 ou 1634), Luís de Almeida (1525-1583) e Wenceslau de Moraes (1854-1929).

Para além deste monumento, Armando Martins ajudou a erguer muitos outros por todo o Japão, imortalizando o nome e a obra dos portugueses que, como ele, ajudaram a aumentar Portugal e a sua memória naquele pedaço da Ásia distante. No livro Figuras de Silêncio, num capítulo com o mesmo título, Janeira dedica umas breves palavras a estes homens:

Vimos como o xogunato Tokugawa procurou eliminar os frutos de um século de contacto entre Portugal e o Japão, começado em 1543 e terminado em 1639 – ou talvez, mais propriamente, em 1647 –, e como depois de aberto o Japão ao segundo contacto com o Ocidente se tem desenvolvido da parte dos Japoneses uma obra notável de investigação e revivência das tradições comuns aos dois povos. As obras deixadas por portugueses que mantêm ainda validade e interesse para a cultura japonesa têm sido devotadamente estudadas e as figuras portuguesas, que em Portugal continuam esquecidas, são vivamente evocadas e publicamente consagradas no Japão. Essas figuras que pela primeira vez na História verdadeiramente contribuíram para lançar uma ponte de intelectual compreensão entre o Ocidente e o Oriente, agora erguidas em bronze nas cidades japonesas com um passado comum com Portugal, impressionam pelo seu trágico silêncio. Figuras de silêncio, porque se tornaram mudas e esquecidas, para os homens do seu país; foram levantadas do pó do olvido pelo esforço de estrangeiros de boa vontade. O peso dos séculos não lhes empanou o brilho, e a vida de esforços, de estudo, de criação, que dedicaram ao povo japonês, encontrou nos japoneses de hoje, dedicados à mesma causa do entendimento e amor entre os povos, uma admiração devotada.

Estes filhos abandonados e esquecidos da terra que os gerou são nela, mais do que em outro lugar, figuras de silêncio – aqui, em Portugal, onde nada os evoca: nem estátuas, nem palavras, nem memória. Refiro-me àqueles que verdadeiramente dedicaram a vida a espalhar no Oriente o espírito do Ocidente – Luís de Almeida, Luís Fróis, João Rodrigues, o beato Diogo de Carvalho –, que são em Portugal quase completamente ignorados. Dos restantes, uns são mais, outros menos conhecidos. S. Francisco Xavier – basco de nação e missionário ao serviço de Portugal – é venerado em todo o mundo cristão; Mendes Pinto e Wenceslau de Moraes são lidos e celebrados em Portugal, embora ao último só no Japão hajam sido publicadas as obras completas e erguidas estátuas em duas cidades; Jorge Álvares, quase desconhecido entre nós, deve a um seu conterrâneo ilustre, como ele marinheiro, espírito inquieto de múltiplos interesses intelectuais, o almirante Sarmento Rodrigues, o levantamento de uma estátua na sua terra natal e outra em Macau. Um só dos mártires portugueses no Japão, o beato Vicente de Santo António, nascido na Albufeira em 1590, submetido à tortura da água a ferver, no vulcão de Arima, e queimado vivo, com mais cinco mártires em Nagasáqui, no «Monte dos Santos», em 3 de Setembro de 1632, é celebrado na sua terra natal, que lhe ergueu uma estátua e o fez seu padroeiro.

Uma estátua é sempre uma presença estranha, como que a impor ao mundo dos vivos a voz intrusa dos mortos. A presença dos mortos não tem feições, é uma voz clara e límpida que nos fala, memória viva que nos acompanha depois da profunda contemplação de uma obra, inspiração que nos acalenta e exalta. Na nossa evocação profunda, Camões fita-nos com dois olhos brilhantes e Eça fala-nos cordialmente, como amigo esclarecido, sem a distância fria e pedante do monóculo. É por isso talvez que os japoneses, em vez de estátuas reproduzindo as feições de um jovem ou de um velho (qual a imagem de Goethe a fixar na nossa permanente evocação: a do jovem deus belo e imaturo de olhos a arder de ambição e ideal ou a do ancião pesado e de olhar profundo?), costumam evocar os seus poetas por meio de uma grande pedra de formas naturais com uma inscrição simples, erguida entre uma paisagem bela. Assim, o espírito, dissolvido na paisagem, continua vivo no ambiente de beleza natural que lhe insuflou alegrias contemplativas e inspiração criadora: é uma presença viva que nos fala, sem se destacar, hirto sobre o pedestal altivo, uma companhia doce e amiga que convida à meditação e à contemplação íntima.

Estátuas são presenças tristes. Nunca senti tristeza mais profunda do que diante das estátuas dos portugueses no Japão, que com amor e devoção ajudei a erguer. Ao contemplá-las longamente, contra o céu japonês, sós, numa avenida, num parque, num jardim ao pé de um rio de estranhos nomes, senti desolação e pena profunda por esses exilados celebrados numa terra estrangeira – e alguns deles tão esquecidos no seu próprio país, como se nunca tivessem existido.

Entre a vasta obra escultórica que Martins Correia nos legou está um busto de bronze de Armando Martins Janeira, que a filha e herdeira do artista, Elsa Martins Correia, cede à família do diplomata para que possa vir a ser exposto em espaço adequado. Nesta bela escultura não faltou a cor intensa, no caso, o verde, a contrastar com a solenidade do bronze. Este original recurso à decoração com uma ou várias cores fortes, sobretudo vermelhos, amarelos, azuis, verdes e ocres, brancos e pretos, tornou-se característico sobretudo a partir do fim da década de 1960 nas obras do Mestre Martins Correia. O busto, concebido logo no início dos anos de 1990, portanto já depois de Janeira ter falecido, espera hoje por um abrigo à altura das duas insignes personalidades que abraça: Martins Correia e Martins Janeira.

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Arquivo

2010

Os Portugueses no Japão – 2.ª parte

Para assinalar os 150 anos de amizade entre Portugal e o Japão, propusemo-nos divulgar neste site novos capítulos das obras de referência de Armando Martins Janeira sobre aquele país do Oriente, que tanto fascinou o investigador. Publicamos agora a segunda parte do capítulo IV da obra O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa, de que temos já disponíveis aqui outros capítulos. Neste texto, Armando Martins Janeira debruça-se longamente sobre as artes no Japão que mais marcadas foram pela presença portuguesa – pintura, música, arquitectura, urbanismo, tipografia e a arte do chá –, concretamente através da acção dos jesuítas, os grandes responsáveis pela chegada das ideias e ideais europeus àquelas ilhas distantes.

A Influência Portuguesa na Civilização Portuguesa - Segunda Parte(PDF, 173 KB)

Leiria e Tokushima unidas pelo embaixador Armando Martins

No site do Município de Leiria é divulgada no dia 14 de Outubro uma exposição comemorativa da geminação de Leiria com Tokushima em 1969, que foi da responsabilidade de Armando Martins:

«Para comemorar o 41.º aniversário da geminação entre Leiria e Tokushima, estará patente de 15 de Outubro a 2 de Novembro, no átrio dos Paços do Concelho, em Leiria, uma exposição evocativa desta geminação.
Com peças alusivas à cultura japonesa, esta exposição é constituída por miniaturas de réplicas de palácios, um conjunto de bonecos que retratam a vida do imperador ao longo da sua vida e peças relativas à geminação entre as escolas de Cruz da Areia em Leiria e de Shimanchi em Tokushima.
A geminação entre as duas cidades foi concretizada porque nos anos sessenta Armando Martins Janeira era o embaixador português no Japão e tinha feito um trabalho sobre Wenceslau de Moraes, figura mítica para os japoneses, principalmente para os habitantes de Tokushima.
Este facto suscitou grande interesse da Prefeitura de Tokushima relativamente à geminação com uma cidade portuguesa, tendo sido escolhida a cidade de Leiria.
Ao longo dos anos têm vindo a ser estabelecidos diversos intercâmbios, principalmente de índole cultural. Espectáculos de marionetas, de dança Awa, bem como exibições da arte de manuseamento do papel (origami) e de flores (ikebana), exposições como “Viagem”, que esteve patente ao público este ano no edifício do Banco de Portugal, e espectáculos de piano e ópera têm trazido até Leiria as raízes culturais japonesas.»

Em 1969, Armando Martins estava pela segunda vez no Japão. Em 1952 fora colocado como primeiro-secretário da Legação de Tóquio, e em 1953 é encarregado de Negócios, lugar que ocupa até 1955. Em 1964 regressa a Tóquio com credenciais de embaixador, e nesse posto permanecerá até 1971.

Biógrafo de Wenceslau de Moraes, terá sido a sua admiração pela vida e obra deste homem singular, que abandona a pátria para adoptar o Japão como seu paraíso terrestre, que levou Armando Martins a eleger Tokushima como primeira cidade nipónica a ter uma irmã portuguesa. Foi em Tokushima que Wenceslau de Moraes acabou por se fixar e viver os últimos dezasseis anos da sua vida. Outras geminações se seguiriam na década de 70, na sequência da acção iniciada por Armando Martins.

De Tokushima, Armando Martins guardaria inúmeras recordações das muitas vezes que a visitou. A inauguração naquela cidade, em 1 de Julho de 1954, de um monumento a Wenceslau de Moraes seria o pretexto para Armando Martins Janeira escrever um dos seus mais belos e inspirados textos, que publicou em livro, somente em 1962, com o título Peregrino, que a Pássaro de Fogo reeditou em 2008, no âmbito da homenagem que a Câmara Municipal de Cascais prestou a Armando Martins, vinte anos após a sua morte.

Em 1954, os cem anos passados sobre o nascimento de Wenceslau de Moraes, e precisamente vinte e cinco sobre a data da sua morte, foram igualmente o ponto de partida para um outro livro que Janeira dedica inteiramente a este autor: O Jardim do Encanto Perdido, editado em 1956, é uma das mais importantes fontes de documentação para o estudo da vida e obra de Moraes.

A história de Tokushima seria referida em vários estudos que Janeira publicou sobre o Japão. Também Wenceslau de Moraes se debruçara sobre esta cidade, onde quis morrer como um oriental e de acordo com a religião budista, no seu O Bon-Odori em Tokushima. Bon significa mortos, e odori, dança. Bon-odori é o nome geral das danças dos mortos, tendo cada região um nome para a sua dança. Em Tokushima é o Awa-odori, já que Awa é o antigo nome daquela província. Como escreveu Wenceslau de Moraes nesse seu livro, «não são só as gueixas que dançam; dança meia população da cidade, incluindo também os velhos decrépitos, as velhas decrépitas, os infantes tenros; todos os vivos se divertem glorificando os mortos». O festival Awa-odori junta milhares de dançarinos que se movem harmoniosamente ao som de gongos e do compasso cadenciado de tambores, criando uma atmosfera muito especial. É uma dança muito famosa em todo o Japão.

Wenceslau de Moraes continua a ser lembrado em todo o Japão, e muito particularmente em Tokushima. Aí, no monte Bizan, foi criado um Museu de Wenceslau de Moraes.

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O embaixador grande amigo do Japão no Expresso

O semanário Expresso dedica um suplemento da sua edição de 31 de Julho aos 150 anos que passaram sobre o Tratado de Paz, Amizade e Comércio luso-nipónico. Entre os vários artigos, que na sua maioria recuam invariavelmente até ao encontro das duas culturas no séc. XVI, conta-se um apontamento sobre Janeira, com o título «O embaixador grande amigo do Japão», que alude ainda a este site:

«O embaixador Armando Martins Janeira (1914-1988) foi o responsável pelo ressurgimento dos estudos sobre as relações luso-nipónicas em Portugal. O seu livro O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa, publicado pela primeira vez em 1970, continua a ser uma obra de referência. Dentre os seus colaboradores mais próximos, destacou-se Pedro Canavarro, que assim definiu o diplomata no prefácio à 2.ª edição do Impacto em 1988:

Armando Martins Janeira foi – sem dúvida – o português que durante este século mais viveu o Japão [...].
Armando Martins Janeira foi ao fim e ao cabo embaixador de ambos os países tanto quanto profundo conhecedor das respectivas culturas! Numa perspicácia equilibrada de quem, não sendo insensível ao futuro consubstanciado já no forte crescimento económico, político e cultural do Japão, estimula tanto quanto pode e acredita tanto quanto deve no espaço e presença portuguesa como valores actuais e actuantes para o Japão do século XXI.
Esta perspectiva de encontro actual renovado sobre o impacto passado consegue-o inteligentemente Armando Martins Janeira, descobrindo-o em si mesmo enquanto transmontano que percorreu o mundo. [...]
Percorrendo o mundo, buscando especialmente no continente asiático as fontes do seu pensar em constante projecção, ultrapassando Wenceslau de Moraes no encanto nipónico ensimesmado na tradição milenária, é Armando Martins Janeira o maior obreiro neste século da ponte a construir nesta centúria entre Portugal e o Japão.
É uma vasta arcatura que ele projecta, arrancando de ambos os lados sobre os pilares do primeiro encontro entre o Ocidente e o Oriente, revendo-se ora na terra e na água que nos colocaram face a face, ora no repensar conjunto que a aprendizagem humilde sempre implica a quem, em cada civilização, sempre encontra o necessário e o complementar do seu todo.

Pedro Canavarro, através da Fundação Passos Canavarro, em Santarém, que este ano celebra uma década de existência e de dedicação à Arte e à Ciência, também se associou às comemorações do Tratado, nomeadamente com a Semana Cultural do Japão, que decorreu de 21 a 30 de Setembro no Teatro Sá da Bandeira. De destacar no variado programa um ciclo de cinema japonês, que deu especial relevo aos cineastas Nagisa Oshima e Takeshi Kitano, bem como aos filmes de animação manga e anime.

Quando Pedro Canavarro foi enviado para o Japão em 1966 pelo Governo português, para criar o leitorado de português em Tóquio, Armando Martins era então embaixador de Portugal nesse país asiático. A relação de amizade que se estabeleceu entre os dois orientalistas cimentou-se através de inúmeras iniciativas culturais no Japão, que contribuíram para a promoção e a aproximação dos dois países, e culminou na fundação, em 1970, quando ambos regressaram ao seu país, da Associação de Amizade Portugal-Japão.

Cerimónia do Chá em Lisboa

O Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa, abriu as suas portas no dia 21 de Julho a uma demonstração de Cha-no-yu, ou cerimónia do chá, pelo japonês Sen Soshitsu XVI, grão-mestre da Casa Urasenke.

Esta arte é um tema que Armando Martins Janeira aborda com especial sentimento no seu livro Figuras de Silêncio no capítulo dedicado à cidade japonesa de Sakai, a que dá o título de «A Cidade do Chá e da Cruz». Segundo Janeira, a cerimónia do chá é «o sumo primor de cortesia e convívio social de todo um povo altamente educado». Explica ele que «o maior de todos os mestres de chá, Sen Rikyu, que fixou as regras, consagradas depois pela prática de quatro séculos, foi amigo dos missionários em Quioto e tomou vários elementos da liturgia católica para enriquecer a cerimónia do chá. Esta surpreendente influência na mais nipónica de todas as artes pode dar ideia do prestígio que os Portugueses conquistaram no País do Sol Nascente». Aproveitando uma sua visita a Sakai, Armando Martins Janeira descreve em Figuras de Silêncio a cerimónia do chá em que então tomou parte, que classifica de difícil e quase religiosa. Já antes outros escritores portugueses se tinham debruçado sobre o cha-no-yu. Wenceslau de Moraes dedicou-lhe mesmo um livro inteiro, O Culto do Chá, que, segundo Janeira, também autor do prefácio da segunda edição, «transmite com felicidade a sua poesia, mas não chega a descrever a cerimónia». Já João Rodrigues, «que vai ao fundo de tudo», quando escreve sobre a cerimónia, «faz uma descrição sociológica pormenorizada e bastante seca, deixando de fora os seus lados poético e místico».

Na cerimónia que teve lugar em Lisboa, inserida nas celebrações do Tratado de Paz, Amizade e Comércio de 1860 entre Portugal e o Japão, esteve presente a família de Martins, que no Japão conhecera o pai do iemoto, ou grão-mestre, Sen Soshitsu XVI. Para saber mais sobre a cerimónia e a tradição do chá na família Urasenke, sugerimos-lhe que consulte o site da Casa Urasenke. Logo na sua Introdução, pode ler-se uma pequena e curiosa história sobre o difícil Caminho do Chá. Conta-se que a Sen Rikyu lhe foi um dia pedido que explicasse o que esse Caminho implicava. «Ele respondeu que era apenas necessário que sete regras fossem observadas: Fazer uma substancial tigela de chá; Colocar o carvão de forma a que a água ferva eficientemente; Proporcionar uma sensação de calor no Inverno e de frescura no Verão; Arranjar as flores como se estivessem no campo; Estar pronto antes do tempo; Estar preparado para o caso de chover; Agir com a máxima consideração para com os seus convidados.

»De acordo com a famosa história que conta o diálogo entre Rikyu e o seu interlocutor, este ficou vexado com a resposta de Rikyu e disse-lhe que aquelas eram regras a que qualquer um seria capaz de obedecer. A isto Rikyu respondeu que se tornaria discípulo da pessoa que a elas conseguisse então obedecer sem falhas.

»Esta história diz-nos que o Caminho do Chá tem basicamente a ver com actividades que fazem parte da vida do dia-a-dia, embora dominá-las requeira uma grande preparação. Neste sentido, o Caminho do Chá pode ser descrito como a Arte de Viver. [...] Os princípios subjacentes a esta Arte de Viver são a Harmonia, o Respeito, a Pureza e a Tranquilidade. Estes são princípios universais que, num mundo como o nosso, actualmente cheio de inquietações, discórdia, egoísmo e outros males sociais, pode guiar-nos na direcção da paz verdadeira.»

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A Cidade do Chá e da Cruz(PDF, 96 KB)

Prefácio de Armando Martins Janeira para O Culto do Chá de Wenceslau de Moraes(PDF, 93 KB)

Os Portugueses no Japão

No ano em que as comemorações dos 150 anos de amizade entre Portugal e o Japão se vão multiplicando, parece-nos oportuno relevar uma das obras mais importantes em língua portuguesa sobre a história desse relacionamento: referimo-nos a O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa de Armando Martins Janeira. Já aqui tínhamos disponíveis alguns dos capítulos desta obra, e acrescentamos agora a primeira parte do capítulo IV que Janeira dedica especificamente à influência portuguesa no Japão. Debruçando-se num primeiro momento sobre o impacto que os portugueses tiveram sobre os intelectuais japoneses, desde a sua chegada a solo nipónico no séc. XVI até à data da abertura definitiva do Japão ao Ocidente, Armando Martins Janeira demora-se a seguir sobre a influência portuguesa nas ciências e nas artes. A extensa parte relativa às artes estará disponível neste site em Novembro.

A Influência Portuguesa na Civilização Japonesa - Primeira Parte(PDF, 188 KB)

Teatro japonês com 650 anos chega a Lisboa

O teatro clássico japonês Nô, ou Noh, marcou presença em Lisboa, no Museu do Oriente, nas noites de 22 e 23 de Abril. Com um programa diferente para cada noite, a escola Kongo, que figura entre as cinco principais do teatro Nô, deu a conhecer ao público português as peças Yuki (A Neve), uma das obras-primas deste teatro, e Maki-ginu (Os Rolos de Seda). Além do teatro Nô, foram representadas Kyogen, peças curtas, de cariz popular, e geralmente satíricas. Esta iniciativa inseriu-se nas celebrações dos 150 anos do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão.

O Nô, hoje aclamado internacionalmente, surge em meados do séc. XIV, e as suas regras são fixadas pelo actor Kanami e pelo seu filho, Zeami. A esta arte japonesa, considerada Património da Humanidade pela UNESCO, dedicou Armando Martins Janeira um livro, Nô, Teatro Lírico Japonês, publicado em 1954. Curiosamente, uma das peças que Janeira traduz e inclui nesta sua obra é Yuki, a que deu o título de O Espírito da Neve, que aqui disponibilizamos. A tradução desta e de mais duas peças do teatro Nô que Armando Martins Janeira apresenta neste seu livro é precedida de um longo e exaustivo prefácio sobre o aparecimento e o desenvolvimento do Nô, e sobretudo sobre a poesia que perpassa todas estas composições. Esse prefácio seria anos mais tarde recuperado e aperfeiçoado pelo autor e incluído num dos seus trabalhos mais singulares: O Teatro de Gil Vicente e o Teatro Clássico Japonês.

O Espírito da Neve(PDF, 79 KB)

Portugal e o Japão de 1955

O Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão, assinado em 1860, e outros tratados que a História revelou mais ou menos importantes para a abertura da nação japonesa ao Ocidente, foram alvo, por parte de Armando Martins Janeira, de uma larga análise, agora disponível neste site. Publicados em 1955 em Portugal e o Japão, os textos desses tratados são precedidos então do primeiro estudo importante de Janeira sobre as relações históricas e económicas entre o Japão e os países que nele penetraram, através quer do comércio, quer da obra dos jesuítas. Este trabalho delineia já as bases em que, 15 anos mais tarde, Armando Martins Janeira alicerçaria o seu O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa. É, aliás, a esta obra que daremos especial relevo no mês de Julho, através da publicação de novos capítulos neste site.

O Tratado de 1860

A partir de Abril, leia aqui o texto integral do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão, celebrado em 1860, e que Armando Martins Janeira reproduziu no seu livro Portugal e o Japão. Assinado em Yedo, ou Edo, antigo nome da capital nipónica, o tratado contempla a abertura dos principais portos do Japão ao comércio com os portugueses, e estabelece deveres, direitos e liberdades entre os cidadãos dos dois países.

Em Maio disponibilizaremos neste site o estudo de que Armando Martins Janeira faz anteceder este e outros tratados que abriram o Japão ao Ocidente no seu Portugal e o Japão de 1955.

Tratado de 1860 entre Portugal e o Japão(PDF, 96 KB)

Mais livros, mais novidades

Para alargarmos o âmbito deste site, e podermos também continuar a reproduzir novos textos, optámos por publicar aqui a bibliografia completa de Armando Martins Janeira, em substituição da lista das suas obras principais, que inicialmente oferecíamos. Não se incluem contudo nesta bibliografia os inúmeros artigos que Janeira escreveu para jornais, bem como os seus inéditos, dos quais oportunamente nos ocuparemos.

O último Japão de Armando Martins Janeira

Neste ano em que comemoramos a amizade e a paz assinadas entre Portugal e o Japão em 1860, reproduziremos aqui essencialmente novos trabalhos e novos capítulos das obras em que Armando Martins Janeira se debruça sobre o caminho histórico e económico do Japão e a sua relação com os Portugueses, desde o seu desembarque em terras nipónicas no séc. XVI.

Assim, abrimos o ano com a apresentação do último livro de Janeira, Japão, A Construção de Um País Moderno, que nos dá conta de como o Japão, um país atrasado há pouco mais de um século, se transforma na nação mais progressiva do mundo. Em 1985, data da publicação deste livro, Janeira aponta o Japão como o exemplo que Portugal deveria seguir. Este estudo poderá pois formar, com O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa, publicado pela primeira vez em 1970, e Figuras de Silêncio, com edição de 1981, uma trilogia que Armando Martins Janeira dedicou ao país onde passou os anos mais felizes da sua vida – o Japão –, e a qual evidenciaremos em 2010.

2010 relembra amizade entre Portugal e o Japão

Em 2010 completam-se 150 anos sobre a assinatura do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão, assinado em Edo no dia 3 de Agosto de 1860. São inúmeras as instituições, organizações e particulares que ao longo de todo este ano irão dar vida a uma série de iniciativas que celebrarão o tratado. A Embaixada do Japão em Portugal disponibiliza no seu site um alargado e detalhado calendário desses eventos.

Armando Martins Janeira dedicou muito estudo ao Japão, e um dos seus primeiros trabalhos – Portugal e o Japão –, publicado em 1955, debruça-se precisamente sobre este e outros tratados importantes na história da abertura do Japão ao Ocidente. Disponibilizaremos em breve neste site parte dessa obra, que inclui o texto integral do tratado que este ano evocamos, o qual aqui também reproduziremos.

2009

Número 4 da Revista Campos Monteiro sai em Dezembro

Realizou-se no dia 12 de Dezembro o lançamento do 4.º número da Revista Campos Monteiro, que inclui um estudo de Paula Mateus sobre «A Poesia e o Mistério em Armando Martins Janeira». A sessão teve lugar na Academia Moreira da Silva, no Porto, contando-se entre os presentes vários colaboradores da revista, alguns deles antigos alunos do Colégio Campos Monteiro de Torre de Moncorvo. A apresentação deste número esteve a cargo da investigadora e poetisa Maria da Assunção Carqueja Rodrigues.

Paula Mateus, A Poesia e o Mistério em Armando Martins Janeira(PDF, 104 KB)

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Armando Martins Janeira na Revista Campos Monteiro

Entre os vários artigos publicados neste 4.º número da Revista Campos Monteiro conta-se um estudo sobre A Poesia e o Mistério em Armando Martins Janeira, da autoria de Paula Mateus. No seu número anterior, de 2008, Ramiro Manuel Salgado, que integra o Conselho Editorial da revista, também se debruçara sobre a personalidade de Armando Martins, traçando uma sua breve biografia. Ramiro Manuel Salgado é filho do insigne moncorvense Ramiro Salgado (1902-1974), que se notabilizou como professor e educador e fundou o prestigiado Colégio Campos Monteiro de Torre de Moncorvo, que dá agora nome a esta publicação cultural. Foi, aliás, no Colégio Campos Monteiro que Armando Martins leccionou logo após ter terminado os seus estudos, antes de optar pela carreira diplomática.

Adília Fernandes, directora e organizadora da Revista Campos Monteiro, assinou em 2005, com José Alfredo Sousa, o editorial do número especial evocativo da comemoração do cinquentenário da fundação do colégio em 1936/37, que resume o objectivo inicial deste projecto:

Após a comemoração do cinquentenário do Colégio Campos Monteiro, em 1987, três amigos – Quim Simões, Zé Alfredo e Emílio Guerra – foram movidos pelo propósito de elaborar um jornal evocativo dessa cerimónia. Todavia, e apesar dos passos que deram nesse sentido, tal propósito não se mostrou, no momento, realizável. […]
Em Maio de 2004, aquando do nosso último encontro, foi feita uma sugestão idêntica, isto é, a criação de um boletim que resultasse da colaboração dos antigos alunos.
Esta Revista surge no seguimento de ambas as propostas e consubstancia a concretização do sonho daqueles amigos, pois apresenta-se fiel ao seu projecto: integra o material por eles seleccionado bem como os registos dos que partilhavam do seu entusiasmo, e a disposição gráfica por eles planeada respeita, na essência, a orientação que lhe pretendiam dar.

Depois deste número especial e do n.º 1, a Revista, que segundo Adília Fernandes se tinha até então «pautado por um certo pendor historicista em torno da temática circunscrita ao Colégio Campos Monteiro, tanto na internalidade da sua acção escolar, como na contextualização sócio-comunitária», viu chegada a hora de «desvendar diferentes caminhos e abrir as suas páginas a outros interessados». Em 2007 surge então o seu n.º 2, com uma apresentação gráfica diferente, em termos de formato e design da capa e do interior, mas sobretudo com horizontes alargados. Lê-se no seu editorial: «Esta publicação, que inicia um novo ciclo organizativo, deve simbolizar a mudança que reclama, de nós, uma actuação mais crítica e integradora, mais actual, dinâmica e impulsionadora. Inscrever-nos-emos melhor, assim, entre referências e memória, num universo com o qual continuamos, em grande medida, a identificar-nos.»

Além dos nomes já referidos, a Revista Campos Monteiro tem contado com a colaboração de Adriano Vasco Rodrigues, António Pimenta de Castro, Carlos d’Abreu, Carlos Prada de Oliveira, Carlos Sambade, Carmo Simões, Graça Abranches, José Sendas, Júlia Guarda Ribeiro, Luís Lopes, Maria da Assunção Carqueja, Maria da Conceição Salgado, Maria Helena Alvim, Maria Ivone da Paz Soares, Maria Norberta Amorim, Maria Otília Pereira Lage, Norberto Ferreira da Cunha, Paulo Cordeiro Salgado, Ricardo Silva e Virgílio Tavares.

Há semelhanças entre o teatro de Gil Vicente e o teatro clássico japonês?

A partir de Outubro, consulte aqui alguns capítulos da obra O Teatro de Gil Vicente e o Teatro Clássico Japonês, publicado em 1967 pela Portugália Editora, em que Janeira mostra de que forma a dramaturgia de Gil Vicente se aproxima do teatro clássico no Japão. Neste ensaio, o autor inclui ainda uma versão revista e alargada de Nô, Teatro Lírico Japonês de 1954.

Ou A Busca do Homem Universal até finais de Outubro

Até ao fim do mês de Outubro estará patente ao público em Torre de Moncorvo, no seu Centro de Memória, a exposição Armando Martins Janeira ou A Busca do Homem Universal, que se inaugurou no dia 29 de Agosto, como aqui divulgámos. Além de objectos que fizeram parte da mostra no ano passado na Biblioteca Municipal de Cascais - São Domingos de Rana, encontra-se nesta nova iniciativa da Câmara Municipal de Torre Moncorvo outro acervo recolhido por Armando Martins Janeira e que a sua viúva doou ao Município. A exposição pretende mostrar Janeira como homem do mundo e homem da terra, transmontana, cujas raízes levou a todos os destinos da sua vida.

Guia da Exposição(PDF, 4.8 MB)

GALERIA DE IMAGENS

Ou A Busca do Homem Universal em Moncorvo

No dia 1 de Setembro completam-se 95 anos sobre o nascimento de Armando Martins Janeira. Torre de Moncorvo, sua terra natal, presta-lhe mais uma homenagem com a exposição Armando Martins Janeira ou A Busca do Homem Universal que se inaugura no dia 29 de Agosto, sábado, pelas 11h, no Centro de Memória de Torre de Moncorvo, na Rua Visconde de Vila Maior.

Japanese and Western Literature on-line

A partir de Março, pode ler neste site alguns capítulos de Japanese and Western Literature, a Comparative Study, obra que Armando Martins Janeira escreveu em inglês e que em 1970, data da sua publicação, colheu o aplauso da imprensa internacional.

Em Abril, teremos disponíveis algumas das páginas deste site em inglês.

Novos capítulos de Figuras de Silêncio

Em Janeiro, pode consultar neste site novos capítulos de Figuras de Silêncio, uma das obras mais importantes na bibliografia de Armando Martins Janeira. Em breve estarão igualmente disponíveis capítulos de Japanese and Western Literature, a Comparative Study, publicado em 1970 e posteriormente traduzido para japonês.

2008

Disponíveis novos textos de Armando Martins Janeira para consulta neste site

Novos capítulos de livros assinados por Armando Martins Janeira serão acrescentados a este site regularmente. Assim, desde Novembro, pode consultar parte de uma das obras de referência deste autor, O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa.

Associação de Amizade Portugal-Japão lembra Armando Martins Janeira

No dia 6 de Outubro inaugurou na Sociedade de Geografia de Lisboa a exposição Armando Martins Janeira, Vidas que Valem a Pena, promovida pela Associação de Amizade Portugal-Japão.

Nesse dia realizou-se também uma mesa-redonda em torno da personalidade e obra do Embaixador, 20 anos após a sua morte, com a participação de Ingrid Bloser Martins, viúva de Janeira, Ana Beatriz Martins, filha de Janeira, Pedro Canavarro, José de Melo Gouveia, José Paulouro das Neves e Jorge de Lemos Godinho.

Cascais evoca Armando Martins Janeira, 20 anos após a sua morte,
de 6 de Setembro a 4 de Outubro

EXPOSIÇÃO

Catálogo da Exposição (PDF)

No dia 6 de Setembro inaugurou a exposição Armando Martins Janeira, Peregrino, na Biblioteca de Cascais-São Domingos de Rana. A exposição esteve patente ao público até 4 de Outubro.

Incluía os seguintes núcleos:

  • Documentação literária e diplomática de Armando Martins Janeira
  • Armando Martins Janeira
  • Caminhos da Terra Florida
  • Wenceslau de Moraes
  • Cha-no-yu (Cerimónia do chá)
  • Namban + Cortejo namban
  • Momotaro
  • Ukiyo-e

GALERIA DE IMAGENS

CONCERTO

O duo Kasutera de Miguel Leiria Pereira (contrabaixo) e Teppe Watanabe (guitarra) deu um concerto na tarde da inauguração da exposição.

Interpretaram temas do Japão:

  • Kojo no tsuki - Rentarô Taki
  • Aka  tonbo - Yamada Kosaku
  • Akai Kutsu - Motoori Nagayo
  • Aoi me no ningyo - Motoori Nagayo
  • Sakura - Canção Tradicional Japonesa
  • Furusato - Okano Teiichi
  • Kokiriko-bushi - Canção Folclórica Japonesa de Toyama
  • Toryanse - Canção Tradicional Japonesa
  • Komuri-uta - Canção Tradicional Japonesa

e temas de Teppe Watanabe:

  • Brasil
  • Amor sem Medo
  • Lisbossa
  • Valsa N.º 3
  • Verdes anos - Carlos Paredes / Arr. Teppe Watanabe

CONFERÊNCIAS

No âmbito da exposição Armando Martins Janeira, Peregrino, fez-se um breve ciclo de conferências na Biblioteca de Cascais-São Domingos de Rana:

18 de Setembro de 2008 / 21h
Orador: António Graça de Abreu
Tema: Armando Martins Janeira – entender o Japão, descobrir a China

25 de Setembro de 2008 / 21h
Orador: Eugénio Lisboa
Tema: Armando Martins Janeira: memórias de uma amizade profissional vivida numa embaixada

2 de Outubro de 2008 / 21h
Orador: António Dias Farinha
Tema: Armando Martins Janeira no mundo luso-oriental

LANÇAMENTO DE PEREGRINO

A 4 de Outubro, dia de encerramento da exposição Armando Martins Janeira, Peregrino, foi reeditado pela Pássaro de Fogo, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, o livro Peregrino, de Armando Martins Janeira, na Biblioteca de Cascais-São Domingos de Rana.

“Colecção Beatriz Martins Janeiro” de bonecos japoneses
mostra-se por todo o país

24 de Julho-24 de Agosto

Exposição de Bonecos Japoneses em Aveiro, coordenada por Maria Helena Castro, inserida nos 30 anos da geminação Aveiro-Oita. A mostra, que decorreu no Salão Nobre do Teatro Aveirense, foi uma cedência da colecção particular da embaixatriz Ingrid Bloser Martins, em conjunto com a Embaixada do Japão e o Museu do Brinquedo de Sintra-“Colecção Beatriz Martins Janeiro”.

O Município de Aveiro reuniu-se com a Cidade de Oita para continuar a promover a cooperação que tem marcado esta relação de amizade. O Acordo de Geminação foi assinado em 10 de Outubro de 1978 que adicionou uma nova página na relação histórica entre Portugal e Japão. Durante 30 anos, as duas cidades promoveram o intercâmbio cultural, artístico, médico e social, aproximando e aprofundando os laços de amizade que as unem.

9-31 de Maio

“Histórias do País Onde Nasce o Sol” - Exposição de Bonecos Japoneses da “Colecção Beatriz Martins Janeiro”, no Porto, coordenada por Maria Helena Castro, inserida nas comemorações dos 30 anos da geminação Porto-Nagasáqui. A exposição decorreu na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, com a colaboração da Embaixada do Japão, e dividia-se em três núcleos:

  • Encontro Portugal-Japão;
  • Significado de ningyo (boneco em japonês) e bonecos talismânicos, que estiveram expostos e exemplificavam essa significação;
  • Contos e lendas infantis

11 de Fevereiro-11 de Março

Exposição de Bonecos Tradicionais Japoneses em Grândola, coordenada por Maria Helena Castro. A exposição teve lugar na Biblioteca Municipal de Grândola e inseria-se na iniciativa Luzes do Sol Nascente, organizada pela Câmara Municipal/Biblioteca Municipal de Grândola e pela Escola Básica Integrada D. Jorge de Lencastre. Os bonecos expostos pertencem à “Colecção Beatriz Martins Janeiro”, organizada por Armando Martins Janeira e sua mulher, Ingrid Bloser Martins, e por esta doada em 1999 ao Museu do Brinquedo de Sintra. Esta exposição contou ainda com a colaboração da Embaixada do Japão.

Inauguração do Centro de Memória e Fundo do Embaixador
Armando Martins Janeira em Torre de Moncorvo

No dia 1 de Março, foi inaugurado o Centro de Memória e Fundo dedicado a Armando Martins Janeira. O Centro, na terra natal de Janeira, engloba o seu espólio de objectos e a sua biblioteca pessoal, doados pelos seus herdeiros.

2007

450 Anos de Medicina Ocidental no Japão

Celebram-se neste ano os 450 anos da abertura do primeiro hospital de medicina ocidental no Japão, em Oita. O responsável foi o médico missionário português Luís de Almeida.

A Associação de Amizade Portugal-Japão comemorou a vida e a obra de Luís de Almeida em colaboração com a Ordem dos Médicos.

Armando Martins Janeira dedicou a Luís de Almeida páginas de Figuras de Silêncio e O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa, os seus dois mais importantes trabalhos sobre a acção dos Portugueses no Japão.

2005

Editora Pássaro de Fogo publica peça inédita de Armando Martins Janeira no Ano Inesiano

No âmbito das comemorações dos 650 Anos da Morte de Inês de Castro, a Câmara Municipal de Cascais e a editora Pássaro de Fogo promoveram no dia 22 de Novembro, no Museu Condes de Castro Guimarães, o lançamento da obra Linda Inês ou o Grande Desvairo, da autoria de Armando Martins Janeira.

O livro foi apresentado por Maria Leonor Machado de Sousa, autora do prefácio. A sessão de apresentação contou ainda com a presença de Ingrid Martins, viúva do escritor e diplomata, do pintor Paulo Ossião, responsável pela ilustração do livro, de José Miguel Júdice e de Jorge Pereira Sampaio, respectivamente Comissário-Geral e Programador-Geral das comemorações deste Ano Inesiano.

Durante a sessão, actores do TEC-Teatro Experimental de Cascais fizeram uma leitura dramatizada de cenas da peça.

2004

Encerramento das comemorações do 150º Aniversário do Nascimento de Wenceslau de Moraes

A encerrar as comemorações do 150º Aniversário do Nascimento de Wenceslau de Moraes, a Câmara Municipal de Cascais organizou duas iniciativas:

- o Duo Ni-Toki apresentou-se no Auditório do Centro Cultural de Cascais, no dia 28 de Setembro, pelas 21H30. O Duo Ni-Toki, formado por dois pianistas, Yuki Rodrigues e Helder Marques, interpretou um programa para piano a quatro mãos, composto por peças musicais clássicas, baseadas em temas populares, portugueses e japoneses, bem como uma obra inédita, de um compositor português contemporâneo de Wenceslau de Moraes.

- no dia 30 de Setembro, pelas 21h30, no Espaço Memória dos Exílios, foi lançado o livro Wenceslau de Moraes, intérprete português do Japão - Armando Martins Janeira, biógrafo, uma viagem por fotos e textos, que fizeram a vida e a obra dos dois escritores, seleccionados e comentados por Paula Mateus.

Ingrid Bloser Martins fala de Armando Martins Janeira e de Wenceslau de Moraes no Estoril

No âmbito das comemorações dos 150 anos do nascimento de Wenceslau de Moraes, a Câmara Municipal de Cascais promoveu uma conferência intitulada Portugal e o Japão: Wenceslau de Moraes e Armando Martins Janeira, duas personalidades humanas diferentes”, proferida pela Embaixatriz Ingrid Bloser Martins, que teve lugar no dia 10 de Setembro, pelas 21h30, no Espaço Memória dos Exílios, no Estoril.

Espaço Memória dos Exílios, no Estoril, recebe Exposição Comemorativa dos 150 Anos do Nascimento de Wenceslau de Moraes

“Armando Martins Janeira nos 150 anos de Wenceslau de Moraes” – assim se intitulava a exposição comemorativa que esteve patente ao público, no Espaço Memória dos Exílios, no Estoril, de 12 de Julho a 30 de Setembro.

A parceria da Autarquia de Cascais neste projecto do Instituto Camões fez-se através da figura do Embaixador Armando Martins Janeira, que residiu no Estoril até ao seu falecimento, e cuja documentação foi depositada no Arquivo Histórico Municipal, por decisão de sua família, no ano de 1993.

Esta exposição procurou cruzar as proximidades entre estes dois homens, visto que Martins Janeira, para além de ter sido o maior biógrafo de Wenceslau de Moraes, foi também diplomata creditado no Japão. Aos dezoito painéis itinerantes da responsabilidade do Instituto Camões, ilustrando a vida e a obra de Moraes, associou-se uma selecção documental e de objectos do espólio do Embaixador Martins Janeira, a cargo de Ingrid Bloser Martins e da Câmara Municipal de Cascais.